domingo, 25 de dezembro de 2011

Embaraço



"Ta tudo bagunçado,
entre tantos embaraços é no teu braço que faço laço
Venho, volto, saio...
No meio desse embrenhado
Cada ponta é um nó atado
Quando penso que to fora
É um tropeço no teu passo
Me confundo e disfarço
Mais me aproximo sem demora
Boto culpa no acaso
Que aparece e vai embora ...
Se fico me atraso,
Se me solto me embaralho.
Que tanto mal assim é que te faço
Pra que longe de ti sem um afago
Me falte sempre um pedaço?
Você não vê que deixou meu coração danado?
Acreditando no que tinha Vivido...
Eu pensando que tinha encontrado,
Hoje mais uma vez vejo que ele anda perdido..."



Estela Pop - 2008

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Histeria


Incansáveis e repetidas situações, encontro-me frente ao abismo, mais é exatamente aqui que queria estar, sempre a adrenalina da queda é que me faz acordar.
Quero poder quebrar as correntes, todas as correntes que me prendem, todas as vendas que me cegam, todas as angustias que me socam goela baixo e que me sufoca, quero poder gritar nessa histeria que me consome sobre tudo, e jogar para o alto o peso do apego, do que me apega, me pega e me consome todo esse conforto viciante, e me devolve o desconforto do vazio. Perceber que fomos um pouquinho além, e não podemos fazer ninguém mais perceber. O individual caminho do Eu, que se perde na tentativa de se dividir, se depara com a incompreensão e resolve não aceitar o que se tem de comum. Quero romper com tudo dentro do meu caos, mais afagos dedicados fora do quadro esperado não é contraditório da paz que preciso para as guerras que o tempo todo invento para não me acomodar, os conflitos que proponho a minha hipócrita existência são exatamente para me incomodar.
Não vou me reinventar sobre os parâmetros desejados e ansiosamente esperados daqueles que não compreendem que, o que posso ser pode ser diferente, mais não necessariamente pior, não posso se quer permitir que a brutalidade da insensibilidade daqueles que já foram moldados julgue minha histérica forma de ser e de sentir.
Quem são esses inúmeros personagens criados cada qual para uma situação? Porque, no entanto, em tudo, não podemos ser quem somos?
Serei eu, sempre eu, dentro de defeitos e qualidades, mas eu, buscando um afago que me traga paz, um olhar que entenda meu silêncio e o respeito das minhas estranhas manias de ser e de existir. Que as guerras que inicio em mim, termine na compreensão e no acalanto do outro, que transcende tanto quanto, e que faça eu sentir que ser mais Eu, sempre é o melhor caminho.



Estela Pop

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Só agora?????

A “punição” de Rafinha Bastos pela emissora em que apresenta, junto com uma equipe de mau gosto, suas piadas ofensivas, tem tido uma grande repercussão com a mídia dizendo: “Rafinha Bastos passou dos limites...”
    Percebam que ele só passou dos limites quando tomado as dores de suas insanas piadas são os homens nos quais suas esposas foram o “alvo da vez”.
Rafinha Bastos não está sendo punido pelo seu machismo agressivo, exacerbado e sem pudor, e nem por agredir e ferir dentro de suas “piadas” uma mulher, mãe, filha, esposa...
    Mais Rafinha Bastos está sendo severamente punido porque as mulheres, mais recentes,  vítimas de sua falta de escrúpulos, foram mulheres que por trás das tais, tinham homens ofendidos e influentes que consideraram a piada de muito mal gosto para os próprios.
    O fato dele ter glorificado o estupro sofrido por milhares de mulheres anônimas, trazendo como conseqüência a revolta e indignação das mulheres perante esse absurdo em forma de piada, não trouxe a Rafinha Bastos sua devida punição, porque por trás desse “público” de mulheres estupradas, não tinha um “grande e influente” homem para trazer uma consciência da gravidade de seus comentários humorísticos sem critério.
    Mulheres ofendidas, indignadas, são feministas extremistas, porque o julgamento de punição a uma agressão a mulher é determinada pelo homem e o quão ele foi, dentro dessa agressão, agredido. Então toma-se as dores: “marido, pai, filho, irmão, cunhado, amigo...” Como se as mulheres não pudessem responder por si mesma e avaliar o que é absurdo e ofensivo para a sua moral, dignidade e respeito; porque quem determina quando fomos ofendidas, ou quando uma piada passa ou não dos limites, é um homem ofendido.
    Querem tirar minha capacidade de sentir e de saber quando sou ofendida, querem me anular quando grito, porque meu grito não pode ser ouvido, nem o meu e nem o grito de milhares de mulheres, porque somos anônimas, e porque conosco não existe uma voz fálica abrindo portas e dando o aval de nossas indignações, porque conosco não temos um dono de emissora, nem um pai ou um marido influente... Porque conosco só nos cabe ser mulher, feito aceitação de uma criação masculina onde acabamos sendo permissivas o suficiente para esse massacre moral continuar.


Estela Pop.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Menos deus e mais Amor, por favor!




Tive a imbecilidade essa semana de dizer perto de alguém demasiadamente religioso a seguinte frase: “Menos deus e mais Amor, por favor”.
Quando a pessoa indignada me retruca dizendo: Mais Deus É Amor!
Respondi: “Amém”. E fiquei pensando...
"- As pessoas tornam deus exatamente dentro daquilo que lhes convém ou é necessário, por isso deus se torna fundamental na vida das pessoas com sua devida utilidade inconcreta. Deus horas é Amor, horas é ira, horas é Paz, horas é intolerância...
Essa manhã ele poderia ter sido na minha Vida um liquidificador, afinal o de casa quebrou justamente quando eu necessitava para fazer minha vitamina. Percebo que deus pode ser milhares de coisas, menos algo útil. 
Quando tento entender (percebam, eu TENTO entender...) não é uma forma de provocação com a fé alheia, porque de tão primitivo e tão poético que é a fé, ela acaba se tornando bela, mais essa beleza não pode se tornar patética como costumamos ver por aí. Em nome de deus acontecem barbarias indescritíveis.
O mundo gira, não para, corre o tempo todo, e deus está morto, são guerras, mortes, crueldade e deus está morto, as pessoas enlouquecidas se devorando, e deus está morto, é tanta falta de Paz para carregar tanta grandeza de um deus que está morto, que não se move e não se opõe.
Discussões de moralidade de com quem devemos ou não “fazer Amor” ou formar família envolvendo sempre um deus tirano que propaga ao invés do Amor a mesquinharia; diz que meu Amor é proibido, meus desejos são pecados mais as guerras em seu nome e pessoas estúpidas fazendo da vida de outras pessoas um posso de intolerância, é louvável. Esse deus é egocêntrico, cruel e tirano.
Estudos dizem que crimes sexuais de pedofilia, estupro é executado por uma maioria heterossexual, então me aparecem com um discurso de que deus odeia Gay´s e Ama os heterossexuais!?
Aí vem uns dizendo: "Poxa, deus não pensa assim, são os homens que distorcem o que deus quer..."
Mais, quem é deus? O que deus quer? O que deus pode querer? 
NADA! deus está morto, e estamos de forma insana justificando TODA a nossa falta de sensibilidade e toda nossa crueldade nesse mito que perdura por essa Era fálica cristã que destruiu e quer destruir o mínimo de tolerância entre as pessoas e as diferenças. 
Esse fascismo religioso propaga na história as maiores trucidades já vista e mesmo assim tememos nos opor a esse deus, estranho deus do "Amor". 
Me alegra mais pensar em todas as probabilidades e lógica da tua não existência partindo da idéia da tua eterna ausência em meio a sanidade do homem.
Então me poupem dizer sobre castigos, ira e o amor de deus sobre as pessoas e criaturas, que minha fase de amigos imaginários passou faz tempo!!!
Acho só que poderíamos ser mais alegres, mais tolerantes, e com muito mais Amor ,e não tentem me enfiar deus guela baixo porque ele me vem indigesto a muuuito tempo!!!"

Estela Pop.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Estupro NÃO É PIADA.



Rafinha Bastos foi um exemplo claro da onde vem as inspirações das piadas que ele e milhares de programas da televisão brasileira se baseiam para conseguir o IBOP do “mais engraçado”.
A televisão é demasiadamente contraditória e cada vez mais ridícula dentro de suas falsas propostas humanitárias. Fazem uma campanha medíocre contra o bule para fazer seu medíocre papel social quando ao mesmo tempo sua forma de fazer piada é simplesmente ridicularizar e humilhar as pessoas, seja por ser gorda, magra, homossexual, loira, careca, cabeluda, negra, aleijada, míope...
Enfim, e dessa vez Rafinha Bastos, colaborador desse humor desrespeitoso e desprezível ainda visto na televisão brasileira achou brilhante, inspirador e bonito glorificar um estupro, claro que não foi a bunda dele que ele ofereceu, e sim todas as mulher para ele consideradas “feias”.
Ele é mais um como muitos que olham a mulher como um produto consumível e descartável, se for a mulher produto de farmácia, aquela que se produz inteira para um cara estúpido como Rafinha Bastos, ela vai ser consumida, mais por “ainda estar no prazo de validade” ou dentro dos parâmetros de mulher desejado pelos homens, essa vai ter uma duração maior e um tratamento diferenciado. Aquelas cujo essa sociedade patriarcal e machista considera “vencida” é jogada aos porcos para serem  agredidas, violentadas não só no corpo, mais na alma, na sua estima, na sua dignidade, e ainda segundo RAFINHA BASTOS, ESSA MULHER DEVE SE LEVANTAR E AGRADECER!

Rafinha Bastos ainda questiona o porque levar tão a sério uma piada???

Porque aquela cujo teu corpo foi devorado, agredido e tua alma retalhada, NÃO ESTÁ RINDO.

Rafinha Bastos é um exemplo das MILHARES de formas que o machismo é ainda alimentado no nosso país, e ainda nos achamos no direito de rir e criticar países como Irã, Paquistão... Etc...
Vamos tentar buscar as soluções para o machismo intrínseco ainda existente, onde com pano na cara ou pelada a mulher ainda é vista como um objeto de consumo para os machistas de plantão ou piada para humoristas pobres de roteiro!!!


Estela Pop.