quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Histeria


Incansáveis e repetidas situações, encontro-me frente ao abismo, mais é exatamente aqui que queria estar, sempre a adrenalina da queda é que me faz acordar.
Quero poder quebrar as correntes, todas as correntes que me prendem, todas as vendas que me cegam, todas as angustias que me socam goela baixo e que me sufoca, quero poder gritar nessa histeria que me consome sobre tudo, e jogar para o alto o peso do apego, do que me apega, me pega e me consome todo esse conforto viciante, e me devolve o desconforto do vazio. Perceber que fomos um pouquinho além, e não podemos fazer ninguém mais perceber. O individual caminho do Eu, que se perde na tentativa de se dividir, se depara com a incompreensão e resolve não aceitar o que se tem de comum. Quero romper com tudo dentro do meu caos, mais afagos dedicados fora do quadro esperado não é contraditório da paz que preciso para as guerras que o tempo todo invento para não me acomodar, os conflitos que proponho a minha hipócrita existência são exatamente para me incomodar.
Não vou me reinventar sobre os parâmetros desejados e ansiosamente esperados daqueles que não compreendem que, o que posso ser pode ser diferente, mais não necessariamente pior, não posso se quer permitir que a brutalidade da insensibilidade daqueles que já foram moldados julgue minha histérica forma de ser e de sentir.
Quem são esses inúmeros personagens criados cada qual para uma situação? Porque, no entanto, em tudo, não podemos ser quem somos?
Serei eu, sempre eu, dentro de defeitos e qualidades, mas eu, buscando um afago que me traga paz, um olhar que entenda meu silêncio e o respeito das minhas estranhas manias de ser e de existir. Que as guerras que inicio em mim, termine na compreensão e no acalanto do outro, que transcende tanto quanto, e que faça eu sentir que ser mais Eu, sempre é o melhor caminho.



Estela Pop

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Só agora?????

A “punição” de Rafinha Bastos pela emissora em que apresenta, junto com uma equipe de mau gosto, suas piadas ofensivas, tem tido uma grande repercussão com a mídia dizendo: “Rafinha Bastos passou dos limites...”
    Percebam que ele só passou dos limites quando tomado as dores de suas insanas piadas são os homens nos quais suas esposas foram o “alvo da vez”.
Rafinha Bastos não está sendo punido pelo seu machismo agressivo, exacerbado e sem pudor, e nem por agredir e ferir dentro de suas “piadas” uma mulher, mãe, filha, esposa...
    Mais Rafinha Bastos está sendo severamente punido porque as mulheres, mais recentes,  vítimas de sua falta de escrúpulos, foram mulheres que por trás das tais, tinham homens ofendidos e influentes que consideraram a piada de muito mal gosto para os próprios.
    O fato dele ter glorificado o estupro sofrido por milhares de mulheres anônimas, trazendo como conseqüência a revolta e indignação das mulheres perante esse absurdo em forma de piada, não trouxe a Rafinha Bastos sua devida punição, porque por trás desse “público” de mulheres estupradas, não tinha um “grande e influente” homem para trazer uma consciência da gravidade de seus comentários humorísticos sem critério.
    Mulheres ofendidas, indignadas, são feministas extremistas, porque o julgamento de punição a uma agressão a mulher é determinada pelo homem e o quão ele foi, dentro dessa agressão, agredido. Então toma-se as dores: “marido, pai, filho, irmão, cunhado, amigo...” Como se as mulheres não pudessem responder por si mesma e avaliar o que é absurdo e ofensivo para a sua moral, dignidade e respeito; porque quem determina quando fomos ofendidas, ou quando uma piada passa ou não dos limites, é um homem ofendido.
    Querem tirar minha capacidade de sentir e de saber quando sou ofendida, querem me anular quando grito, porque meu grito não pode ser ouvido, nem o meu e nem o grito de milhares de mulheres, porque somos anônimas, e porque conosco não existe uma voz fálica abrindo portas e dando o aval de nossas indignações, porque conosco não temos um dono de emissora, nem um pai ou um marido influente... Porque conosco só nos cabe ser mulher, feito aceitação de uma criação masculina onde acabamos sendo permissivas o suficiente para esse massacre moral continuar.


Estela Pop.