Incansáveis e repetidas situações, encontro-me frente ao abismo, mais é exatamente aqui que queria estar, sempre a adrenalina da queda é que me faz acordar.
Quero poder quebrar as correntes, todas as correntes que me prendem, todas as vendas que me cegam, todas as angustias que me socam goela baixo e que me sufoca, quero poder gritar nessa histeria que me consome sobre tudo, e jogar para o alto o peso do apego, do que me apega, me pega e me consome todo esse conforto viciante, e me devolve o desconforto do vazio. Perceber que fomos um pouquinho além, e não podemos fazer ninguém mais perceber. O individual caminho do Eu, que se perde na tentativa de se dividir, se depara com a incompreensão e resolve não aceitar o que se tem de comum. Quero romper com tudo dentro do meu caos, mais afagos dedicados fora do quadro esperado não é contraditório da paz que preciso para as guerras que o tempo todo invento para não me acomodar, os conflitos que proponho a minha hipócrita existência são exatamente para me incomodar.
Não vou me reinventar sobre os parâmetros desejados e ansiosamente esperados daqueles que não compreendem que, o que posso ser pode ser diferente, mais não necessariamente pior, não posso se quer permitir que a brutalidade da insensibilidade daqueles que já foram moldados julgue minha histérica forma de ser e de sentir.
Quem são esses inúmeros personagens criados cada qual para uma situação? Porque, no entanto, em tudo, não podemos ser quem somos?
Serei eu, sempre eu, dentro de defeitos e qualidades, mas eu, buscando um afago que me traga paz, um olhar que entenda meu silêncio e o respeito das minhas estranhas manias de ser e de existir. Que as guerras que inicio em mim, termine na compreensão e no acalanto do outro, que transcende tanto quanto, e que faça eu sentir que ser mais Eu, sempre é o melhor caminho.
Estela Pop

