terça-feira, 30 de junho de 2015

A Roda da Fortuna





''Queria ser uma poltrona antiga, na varanda, só pra ver o tempo passar...
Ou mesmo aquela árvore antiga, que nada escapa da tua sombra e da tua vida,
Queria ver as crianças correrem com suas pipas...
Queria ver bolas voando, mesmo que partindo o vidro da minha janela,
Queria ver as lendas contadas não como piadas, mais sim com o respeito e mistério que merecem...
Queria sentir toda tarde o cheiro daquele pão saindo do forno e que a vó já não faz mais, a mãe já não faz mais, e não sabemos ao certo pra quem (ou pra que) fazer, mais fazemos porque precisamos sentir o cheiro do pão saindo do forno e relembrar tudo de novo e sempre, porque todo ontem é o agora, repleto de Magia...
O tempo passa, e a Água que inundava, agora molha os pés
O Fogo que queimava, agora transforma,
A Terra que secava, agora nasce...
O Ár que bagunçava feito furacão, agora esclarece,
Porque a Alma que se prepara para o tempo, que já rodou diversas vezes na Roda da Fortuna, e já nem fica mais tonta porque sabe exatamente onde se segurar, porque sabe exatamente quem tece o fio da Vida junto com as nossas escolhas; porque tudo o que fez com que a gente se perdesse durante quase que uma vida inteira já não existe mais, porque descobrimos por fim, pondo fim na angústia, de onde viemos e para onde estamos indo... porque chega um momento onde aquela velha poltrona, não quer ser o centro da sala, e sim, quer estar apenas na varanda só para ver o tempo passar...''


Estela Pop.

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